Café forte é café bom?

A ideia de café escuro e amargo ser bom vem do passado e reina as memórias afetivas da maioria dos brasileiros.

Por anos, a indústria nacional do café processou e comercializou cafés de qualidade inferior para pessoas que não queriam ou não podiam pagar mais caro por uma xícara de café. Por não ter um processo de seleção de grãos tão cuidadoso, defeitos e até impurezas acabavam passando. A solução foi deixar a torra mais escura para mascarar sabores desagradáveis. O amargo que se prova nos cafés tradicionais é resultado de uma torra bem escura, e aos poucos, a ideia de que “café forte é café bom” foi se enraizando.

Se você analisar a história do café no Brasil, notará que as memórias afetivas do consumidor brasileiro remetem ao café da vovó. Uma mesa farta de bolos e bolachas caseiros e um café passado na hora no coador de pano com muito açúcar ou rapadura. A doçura dessas memórias definem o julgamento do consumidor e ele, de forma inconsciente, proclama o café amargo e super preto como o melhor café.

Com a evolução dos cafés Categoria Especial no Brasil, os grãos têm a torra mais clara (com a cor marrom) e são isentos de defeitos. Isso, pois eles não precisam esconder possíveis impurezas e grãos defeituosos por meio da torra mais escura. Assim, sua cor final na xícara é marrom quando extraído. Com esse café mais claro em mãos, muitos consumidores o chama de chafé contrapondo o conceito do café forte e amargo.

Grãos sem torrar, com torra clara, torra média e super torrados.

Quebrar paradigmas e algumas culturas pode ser desafiador, mas com informação e degustação de outros tipos de café essa ideia está mudando aos poucos. Como sugestão, coloque um café tradicional ao lado de um café especial e compare sabores, aromas e texturas. Você verá que café não é tudo igual e que intensidade (café forte) é aquele que tem grande quantidade de café diluída em pouca água.

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